Ser líder não é apenas sobre alcançar o topo. É sobre transformar o caminho. Qual é o impacto da presença feminina na liderança? Descubra como o coaching pode fortalecer essa jornada.
Lições da CEO da Erickson, Louise Hendey – A Minha Academia de Liderança na Maternidade
A evidência é clara: as mulheres continuam significativamente sub-representadas em cargos de liderança sénior nas organizações, lutando por igualdade num mundo ainda predominantemente masculino. As estatísticas podem justificar que as mulheres se sintam no direito de ver mais portas abertas, mas não gosto da ideia de que preciso de apoio no meu percurso de liderança por ser mulher. Sem dúvida, esse apoio ajuda muitas mulheres a crescer – excelente! Mas é precisamente por isso que não me identifico plenamente com a narrativa da liderança no feminino.
É possível que a minha condição de mulher tenha, de alguma forma, afectado negativamente a minha carreira. Nunca saberei se estaria mais próxima das minhas ambições “sem ovários”. Mas o que realmente importa é que não atribuo os obstáculos que enfrentei ao facto de ser mulher. Do meu ponto de vista, ser mulher elevou-me tanto quanto poderá ter-me travado. Certo ou errado, sou a líder peculiar, imperfeita, mas “suficientemente boa” que sou hoje porque sou mulher.
Tal como tantas outras mulheres, tive de enfrentar desafios complexos relacionados com esta parte da minha identidade. Fiz escolhas no passado – com algum ressentimento na altura – como abdicar da progressão na carreira para ser uma mãe mais presente. O meu ressentimento nasceu de crenças herdadas das mulheres da minha família, que abdicaram de muitos dos seus sonhos por causa do género. Cresci rodeada por narrativas bem-intencionadas sobre a importância do sucesso. E, como acontece com qualquer condicionamento inconsciente, sem ainda ter despertado interiormente, cheguei a ver o papel de mãe a tempo inteiro como uma forma de preguiça.
Este conflito interior foi intenso, afastando-me da maior lição de liderança que tinha à minha frente. A minha pequena epifania surgiu quando uma amiga, que era para mim como uma mentora maternal, me ouviu queixar-me novamente sobre a estagnação da minha vida e perguntou, com genuíno espanto:
— “Por que é que precisas de mais?”
— “Ser mãe não é suficiente? Que trabalho poderia ser mais importante?”
Quando o aluno está pronto, o mestre aparece. Que ambições grandiosas eram estas que me atormentavam? Porque é que acreditava que ser mãe diminuía quem eu era? Porque é que tantas mulheres me julgavam — a mim e à maternidade, na sua forma mais pura? Comecei a desfazer o novelo de crenças que confundiam a minha identidade.
Foi então que aceitei. Já não tinha para onde fugir. E, nesses quatro anos de entrega, aprendi mais sobre liderança do que em qualquer cargo empresarial.
Partilho convosco algumas das lições mais importantes da minha Academia de Liderança da Maternidade:
1. Enfrentar o “urghh”
Havia dias em que, depois de apanhar um grupo de crianças à escola, a caminho de mais dez tarefas, elas começavam a cantar uma música que eu já detestava. Urghh. Mas, tal como em qualquer trabalho, quanto mais rejeitarmos o momento ou a tarefa, mais a detestamos. Liderar implica fazer muitas coisas que, à partida, não escolheríamos — e fazê-las com alegria, por saber que servem um propósito maior. Canta com as crianças no carro, mesmo que estejas com pressa, porque valorizas a alegria e a ligação mais do que a tarefa seguinte. Cantar nutre o cérebro das crianças com amor e aprendizagem.
2. Não há tarefas inferiores
Levar os filhos, ensinar-lhes a ler, acompanhá-los às aulas de piano — são gestos diários que não se podem delegar. É neles que se constrói uma ligação verdadeira. O mesmo aplica-se à liderança: responde às dúvidas dos clientes, participa em formações, trata de reclamações triviais, conversa com colaboradores com quem não interages diariamente. Não podes conhecer verdadeiramente o teu negócio nem as tuas pessoas se estiveres sempre fechado no teu gabinete.
3. Faço o que tu fazes
As crianças são especialistas em detectar a diferença entre palavras e acções — e não ligam às palavras. “Faz isto, faz aquilo!” – dizemos todos. Mas é melhor fazer perguntas do que dar ordens. As ordens geram medo e bloqueiam o pensamento. As crianças imitam comportamentos. Não gostas da forma como o teu filho te responde? Observa o teu próprio tom. O mesmo se aplica na liderança. O que vês nos outros é um espelho do ambiente que estás a criar. A tua equipa reclama muito? Pára de apontar o dedo. O que tu fazes é o que define quem és. Sê aquilo que queres ver nos outros.
4. És o termómetro emocional
Sem falhar, o ambiente dentro de um carro com sete crianças era ditado pelo meu próprio estado de espírito. Se eu estava irritada, a alegria desaparecia, começavam as queixas, e a tensão aumentava. Tornava-se um ciclo vicioso. As emoções são contagiosas. Um líder precisa de dominar as próprias emoções: não se trata de ignorá-las ou suprimi-las, mas sim de respirar fundo, abrandar, reflectir e depois agir com sabedoria — em vez de reagir impulsivamente.
5. Não é sobre ti
Enquanto mãe, o teu papel é, gradualmente, tornares-te redundante. Os filhos precisam de apoio e, acima de tudo, de confiança para se tornarem adultos independentes e realizados. Isso implica pôr de lado o ego. A maternidade não é sobre ti — é sobre eles. O mesmo acontece na liderança: o teu papel é criar condições para que outros cresçam, mesmo que isso te assuste. Se sentes que já não és quem manda, óptimo — estás a cumprir a tua função. Liderar é trazer energia, visão e acção, e depois dar espaço aos outros. O crescimento de uma organização é proporcional à tua capacidade de permitir que outros cresçam.
A minha Academia de Liderança da Maternidade é uma prática diária. Tal como acontece com a maternidade, falho muitas vezes. Mas sou profundamente grata pelas oportunidades que o meu tempo como mãe presente me proporcionou. Aprendi… cresci… servi. Através das minhas imperfeições e da entrega à maternidade enquanto mulher, compreendo hoje, com mais profundidade, o verdadeiro significado de liderar em função do potencial dos outros — e não do meu próprio.
Post original: https://www.erickson.edu/resources/women-in-leadership
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